Publicado por: Belmonte | maio 4, 2008

Combustível

ALGUMA COISA SOBRE COMBUSTÍVEL
de José Américo Mendes

O combustível é um assunto interminável, e como me pediram que dissesse algo sobre ele, aqui vão algumas considerações sobre o moço.

Sem dúvida a coisa que mais afeta nossos motores é a mistura queimada. Aliás, não é ela propriamente, mas o álcool  que faz parte dela e que tem o papel não só de agente detonante, mas também de veículo do óleo lubrificante para que o motor tenha uma vida mais ou menos longa, dependendo do trato que você lhe dê. Em tese, essa mistura  álcool-óleo, se correta, fará seu motor rodar numa temperatura adequada e com um rendimento satisfatório, porque o óleo não é apenas lubrificante, mas também refrigerante.

Quando se fala em combustível há quase sempre uma pergunta que é fatal: qual a melhor mistura? Não há. Os motores são muito individualistas e cada um tem seu próprio “paladar”, influenciado pela temperatura e altitude. Embora hoje em dia a maioria dos pilotos adote os combustíveis prontos, ainda há um número bem significativo de praticantes que faz sua própria mistura, geralmente nas proporções 3:1 e 4:1 (álcool e óleo, respectivamente). Caso você use um combustível pronto e nitrado, procure não passar dos dez porcento de nitro e, caso queira um percentual menor, acrescente uma submistura de álcool/óleo ao combustível de forma  a reduzir o percentual de nitro.

Geralmente o percentual de óleo nos combustíveis prontos fica em torno de 16% e ele, por sua importância, merece, por si só, algumas considerações: desde os primórdios do vôo motorizado (lá pela década de 30), o óleo de rícino (castor oil, para os gringos) mostrou-se o mais adequado e até hoje desempenha um papel importante nas misturas, muito embora já não reine sozinho, uma vez que o sintético chegou para ficar.  A meu ver, todavia, não há conflito entre eles, pois cada um possui suas próprias qualidades: o óleo de rícino se porta maravilhosamente nas altas temperaturas, sem se decompor com o calor, e ajuda a baixar a caloria do motor. O sintético, por seu lado, “corre” melhor, distribuindo-se de forma mais homogênea pelo motor, além de possuir detergentes que ajudam na limpeza interna e reduzem a carbonização. O que fazer então? Simplesmente juntar os dois, que se misturam sem problemas, já que os motores modernos, a meu ver, usam pouco óleo.

Se você adota, por exemplo, uma mistura que tenha apenas 16% de óleo (sic!), geralmente sintético, complete e proporção de 4:1 adicionando mais 6% de óleo de rícino, elevando o percentual para 22%, que fica muito mais próximo do ideal… Além disso, pesquisas têm demonstrado que o sintético diminui a vida útil das velas, pois seus aditivos atacam o ródio, metal que entra na composição dos filamentos. Aí está mais uma razão para que seja adotada uma mistura sintético/rícino sempre que possível.

Outra coisa: se seu motor possui rolamentos, é preciso cuidar deles: o metanol, como todo álcool, tem uma boa percentagem de água, que durante sua queima, produz ácido nítrico, que enferruja os rolamentos, e rolamentos enferrujados não servem pra nada. Coloque, então, depois de um dia de vôo, algumas gotas de  “after run” no carburador e no cabeçote, sem a vela, virando a hélice umas dez ou doze vezes. Faça disso um hábito e terá rolamentos por um bom tempo. Não use óleo de rícino em lugar do “after run”. Por ser mais espesso ele tende a formar uma goma que vai acelerar a carbonização do motor, ao ser queimada. O “after run” é estudado justamente para limpar o motor internamente e proteger os rolamentos.

O armazenamento da mistura também é importante. Procure guardá-la em um lugar seco e escuro, e já que falei em armazenamento, lá vai: é evidente que estamos na “Idade do Plástico”, em tudo o que nos rodeia ele está presente, inclusive nas embalagens, que são baratas e descartáveis (outra característica de nossos dias: a descartabilidade…) e por isso os fabricantes de combustível as adotaram. E o fizeram porque seus estoques giram rapidamente, mas o plástico tem graves defeitos, entre os quais o fato de “transpirar”, permitindo, a longo prazo e sob efeitos externos uma certa decomposição do conteúdo, seja álcool, ou mistura. Já com o vidro isso não acontece porque suas moléculas são muito  mais aglutinadas. Por isso, se você confia no álcool que usa e pretende estocá-lo, ou mesmo guardar sua mistura de modo mais seguro, guarde-os em vidros escuros. Uma boa pedida são os garrafões de vinho âmbar. Alguns deles, que trazem produtos degradáveis, tem rosca no gargalo e tampas herméticas, que permitem uma ótima conservação. Em último caso há um quebra-galho: os galões de thinner, com suas tampas de rosca rebatíveis, são ótimos… A maioria dos pilotos leva seus galões direto para a pista e os deixa lá, no sol, o que é um erro. Se não tiver um reservatório que dê para um dia de vôo, deixe o galão pelo menos na sombra, para evitar que a luz e o calor decomponham a mistura com a condensação da água do álcool e que esse desdobramento venha, por conseqüência, prejudicar os vôos. Aliás não é só o combustível que é atacado pela luz e pelo calor: a cerveja também (alô, turma do copo!), é por isso que  ela vem em cascos escuros…

E começamos esse papo falando da importância da mistura  e do álcool que usamos, isso porque nem sempre o álcool usado é necessáriamente puro o bastante, ou seja, com a quantidade de água aceitável  em um combustível. Há, normalmente nas lojas, dois tipos de metanol: o comercial e o p.a. ( para análise ). O comercial é usado para a limpeza das serpentinas dos aparelhos de refrigeração e, evidentemente  não tem a pureza do p.a., que é específico para uso em laboratórios. Este último é o que nos interessa. E como saber se aquele alcool é mesmo um p.a. ?  É difícil. O que se pode saber é se o teor de água é baixo, ou não. Para isso há um teste prático : encha uma colher de sopa com o álcool inflame-o. Se a chama for azulada e transparente, seu teor de água é baixo – na faixa de um p.a. Se ao contrário a chama for vermelha e crepitar, é sinal que o percentual de água é alto e está fora do recomendável (lembre-se do ácido nítrico que vai enferrujar seus rolamentos). Mas, como diz a turma do Casseta, nem tudo está perdido: arranje um pedaço de camurça (à venda nas casas de couro), ponha em um funil e coe o álcool. A camurça tem a propriedade de reter a água caso sua quantidade não seja calamitosa. Pode coar inclusive mais de uma vez, trocando a camurça e experimentando no “teste da colher”, até ficar satisfeito, embora saiba que seu álcool jamais será um p.a.. E tudo isso só funciona antes da mistura. Depois do álcool misturado, já era…

Pra terminar:  se seu motor está correspondendo, não há porque mudar, mas vale ficar atento aos sinais que ele possa dar: superaquecimento, funcionamento irregular, queima  de velas, troca constante de rolamentos, etc. Se faz sua mistura, certifique-se de que seu fornecedor seja de confiança. O velho Churchill dizia que o preço da tranqüilidade é a eterna vigilância, e isso vale para o aeromodelismo.

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Speed Promocional

INTRODUÇÃO:

Pessoal, gostei demais dessa modalidade de speed promocional, bem mais acessível pra quem curte um modelinho rápido, rsrsrsrsrs.

Hoje em dia eu pratico a modalidade por pura diversão.

Meu modelo estava em cima do guarda roupa há mais de 4 anos. Na ocasião, ao terminar sua construção, dei uns dois ou três vôos aqui em Vitória, depois nunca mais voei com ele, agora com mais tempo, voltei a praticar a modalidade.

Resolvi relatar aqui minhas experiências para quem estiver pensando em partir para a modalidade, espero que seja de algum proveito.

PARTE 01 – O MODELO

Galera, o modelinho é desenho meu, e acreditem, é FANTÁSTICO, sai do carrinho praticamente sozinho, e é um mono asa.

Desde quando eu me enveredei pra speed em 1976, eu fiquei fissurado por mono asa, não tem nada melhor. Desde que você acerte no modelo, ele voa muito bem. 

Este meu modelo está voando demais, é super fácil de construir e extremamente dócil, não entra pra dentro do círculo na decolagem  nem querendo.

Quem se interessar eu mando a planta, não a tenho disponibilizada em computador, neste segmento ainda sou da antiga, vai via cópia original.

A fuselagem é de balsa extremamente dura, tipo MOBRALSA, quem se lembra?

É de ¼ de polegada, na frente tem dois montantes de marfim pequenos, chapeados no lado do motor, com compensado de 2 mm, e no outro lado de 1 mm. Esses chapeados seguem até depois da asa.

A asa é também construção do tempo do onça, parte inferior em balsa de 3/32 pol., no meio, compensado vazado de 1 mm, e na parte superior, balsa de 1/8 pol.

Uma vareta dura de xixá, de 5×5 mm é usada como bordo de ataque.

Isso tudo é colado com Epóxi 30 minutos.

Depois, na lixa, dá-se o perfil que vai se tornar assimétrico, devido a diferença de espessura das balsas, entenderam?

Depois de 05 demãos de dope, entelo com organza de nylon, e aplico mais umas 04 demãos de dope.

Vocês estão notando que misturo mm com pol. mas tudo bem, estão entendendo, né?

Bem, hoje em dia a construção evoluiu demais, vocês podem construir do jeito que quiserem, só não alterem o desenho nem as medidas, por que, repito, o modelo está voando demais.

O profundor é construído em duas partes, compensado de 0.5 mm embaixo e balsa de 3/32 pol. em cima, tudo colado com cianoacrilato.

Ele é colado em ângulo de 10º com a fuselagem, com epóxi 30 min.

O balancim pode ser aqueles pequenos da Aero Brás em alumínio, ou se preferirem podem construir um circular, vai da paciência de cada um. Eu, na ocasião que construí o modelo, não tinha balancim de alumínio em mãos, então coloquei um de nylon mesmo. Ele fica instalado na fuselagem, logo acima da asa.

Um pino de metal atravessa a fuselagem, asa e balancim, prendendo o conjunto inteiro.

A asa é colada na fuselagem com epóxi 30 minutos.

PARTE 02 – O MOTOR

O motor é preparado como todos estão cansados de saber.

Abertura das passagens internas de combustível na carcaça, retirada dos cantos vivos da camisa, polimento interno do eixo, retirada do venturi com o carburador passando por trás, etc.

O motor que estou usando está apenas com a carcaça preparada, mais nada.

Quero ver se nesta semana consigo dar polimento interno no eixo.

PARTE 03 – TANQUE E SHUTT – OFF

Usei um tanque de Fórmula Brasil, de 20 ml com válvula.

Um shutt-off de mola, com mangueira de alimentação de silicone para ½ A da Great Planes (Tower Hobbies).

Essa mangueira é muito boa, pois ela é fina e permite fácil esmagamento pelo shutt-off.

PARTE 04 – ACABAMENTO

Usei apenas dope, e depois verniz bi – componente.

VAMOS VOAR :

A parte descritiva fica muito bem compreendida quando vocês abrirem as fotos.

Com o modelo pronto, a parte de vôo é a mais delicada.

Lembrem-se de usar combustível 4 x 1 sem nitrometano, uma vez que, vocês que quiserem participar de uma prova, terão o combustível fornecido pela direção da prova, e ele certamente será o famoso 4 x 1, sem nitro.

Quanto às hélices, tenho visto que muitos estão utilizando as APC para Pylon (6.5×6, 7×6, 7×6.5), mas eu tenho obtido bons resultados também com as hélices usadas em Fórmula Brasil, as minhas são as fabricadas em fibra de carbono pelo Walmir Brait.

Nesta minha volta, sem nenhuma pretensão de bater recordes, simplesmente por diversão mesmo, nem me preocupei com os cabos lisos, usados para a modalidade em questão.

Como eu estava sem esse tipo de cabo aqui, voei com meu cabo trançado 0.18, que é o que uso para motores 40 – 46 aqui em Vitória, num comprimento de 15.92 metros.

É um verdadeiro absurdo voar com esse cabo, porque o arrasto é fantástico, mas quem não tem cão, caça com gatos, certo?

Pois bem, no dia 04 de novembro, com uma hélice APC 8×6 eu virei em 22″23, e depois, com uma hélice do Walmir Brait, virei em 20″84.

Eu fiquei muito satisfeito com os resultados, principalmente porque estava com esse cabo muito grosso e sem opção de hélices melhores.

Agora em casa, satisfeitíssimo com a performance do modelo, eu vou começar a preparar as hélices.

A partida do motor foi no dedo mesmo, apenas tomem o cuidado de enrolar um esparadrapo largo no dedo que for utilizar.

Outro detalhe importante, o motor é pressurizado do cárter, mas  faz-se necessária a diminuição do diâmetro do pressurizador.

Como eu detesto mexer com solda, eu peguei um tubo de cobre capilar, e introduzi dentro do silicone que sai do pressurizador para o tanque, ficou ótimo.
Espero que minha matéria sirva para os novatos que quiserem se aventurar na modalidade. 

          

        

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Eliminatórias U.S.A

ELIMINATÓRIA NORTE AMERICANA PARA FORMAÇÃO DE EQUIPE DE F2D PARA O MUNDIAL DE 2008 NA FRANÇA

O texto abaixo eu traduzi e resumi da revista FLYING MODELS de novembro, e descreve a seletiva que os norte americanos realizaram para a formação da sua equipe de F2D que vai representar o país em 2008 na França. 

A matéria foi escrita por LARRY DRISKILL, que ficou em décimo lugar, sendo o último dos reservas.

A equipe americana de combate F2D para 2008 foi selecionada através de uma tripla eliminação, num evento realizado em Lubbock, TEXAS.

No final de semana do dia do trabalho, Richard Stubblefield, Andy Mears e Mike Willcox se classificaram como os três primeiros colocados para a formação da equipe. O primeiro reserva é Greg Hill, seguido por Andrey Nadein, Tom Skinner, Nick Mears, James McKinney, Don Cranfill e Larry Driskill.
Não houve ninguém inscrito para os juniores, por isso não haverá juniores norte americanos no próximo verão na França.

O evento classificatório foi organizado pela AMA, que optou por usar o sistema bastante conhecido nos E.U.A de tríplice eliminação, que acho bastante interessante, pois em se tratando de uma eliminatória, aumenta as chances de todos. Porém, lógico, as regras usadas foram as da FAI, do código desportivo edição 2007.

O evento começou com um grandioso churrasco no “CAGLE`S STEAKHOUSE”, na sexta-feira, dia 31 de agosto. Larry Driskell recomenda a todos que porventura forem algum dia a Lubbock, não deixem de visitar essa churrascaria. A competição começou no sábado às 08:30 h com poucas nuvens no céu, temperatura moderada e ventos de 8 nós.

No final da tarde de domingo, após 144 combates, já estava formada a equipe americana para o mundial de 2008 na França.

O combustível usado foi o RED MAX, cedido pelos seus fabricantes. As fitas usadas foram fabricadas em plástico, muito parecidas com o material de algumas toalhas de mesa, e serão as mesmas do campeonato mundial da França. Ocorreram alguns casos de elas se enroscarem nos motores após serem cortadas pelos mesmos, causando a parada do motor.

Quarenta pilotos se inscreveram para a eliminatória. Este é um número máximo para 02 dias de evento. Com 50 pilotos se fariam necessários 03 dias de competição.

De acordo com o guia de competição AMA, cada combate total, incluindo a preparação e retirada das asas após o embate, deve ter destinado o tempo de 10 minutos. Parece ser um pouco lento, mas não é um número ruim como proposta de planejamento para o torneio. Menos de 20% dos combates terminaram empatados e precisaram de reflies. A tripla eliminação, contando com 40 participantes, proporcionou 120 combates, mais 24 reflies. Se levarmos em conta os 144 combates com 10 minutos de duração para cada um, tivemos um total de 1440 minutos, ou 24 horas de combate!!! Isto é realmente muito tempo para dois dias de combate, e tanto juízes como competidores estavam exaustos após o fim da tarde de domingo.

Os americanos acharam o combate F2D bastante diferente e muito mais sofisticado do que eles praticam. Os equipamentos usados foram os mesmos dos europeus. Todos os pilotos usaram asas RTF da Rússia e da Ucrânia. A maioria dos motores são versões de Cyclons, Foras, AKMs e Zorros.

Richard Stubblefield (com 8 vitórias e 1 derrota)  usou asa da Ucrânia e motores Fora. Andy Mears (7 vitórias e 2 derrotas) usou asas de Stas Chornny e motores Cyclon PC 7, Mike Wilcox (8 vitórias e 2 derrotas) usou asas da Ucrânia e motores Profi. Um detalhe interessante é que os pilotos de combate americanos não são jovens. Entre os 40 participantes, 4 estão situados na faixa dos 60 anos, inclusive o campeão Richard Stubblefield, dúzias estão na faixa dos 40 anos, dúzias na faixa dos 30 anos, e alguns poucos na faixa dos 20 anos. Tanto é que nem participantes juniores apareceram. Se levarmos em conta a confusão que impera no Brasil para a formação de equipes para o Mundial, temos aqui um belo exemplo de organização.

Agora é esperar para ver como a equipe americana vai se sair no Mundial da França em 2008.

Seletiva 01

Seletiva 02

Seletiva 04

Seletiva 03

Da esquerda para a direita: o primeiro reserva (Greg Hill), e os três titulares (Richard Stubblefield, Andy Mears e Mike Willcox).

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

É apenas um cão

De vez em quando escuto alguém me dizer: “Pára com isso! É apenas um cão!!!” Ou então, “Mas é muito dinheiro para se gastar com ele! É apenas um cão!”

Estas pessoas não sabem do caminho percorrido, do tempo gasto, ou dos custos que significam “apenas um cão”. Muitos dos meus melhores momentos na vida me foram trazidos por “apenas um cão”.

Por muitas horas em minha vida, minha única companhia foi “apenas um cão”. E eu não me senti desprezado. Muitas de minhas tristezas foram amenizadas por “apenas um cão”.

E naqueles dias sombrios, o toque gentil de “apenas um cão” me deu conforto e motivo pra seguir em frente.

E se você também é daqueles que pensam que ele é “apenas um cão”, com certeza deve entender bem expressões como “apenas um amigo”, “apenas um nascer de sol”, “apenas uma promessa”.

“Apenas um cão” deu à minha vida a verdadeira essência da amizade, da confiança, da pura e irrestrita felicidade. “Apenas um cão” faz aflorar a compaixão e a paciência que fazem de mim uma pessoa melhor. Por causa de “apenas um cão”, eu me levanto cedo, faço caminhadas e olho com mais amor para o futuro.

Porque para mim – e pras pessoas como eu – não se trata de “apenas um cão”, mas da incorporação de todos os sonhos e esperanças do futuro; das lembranças afetuosas do passado; da pura felicidade do momento presente.

“Apenas um cão” faz brotar o que há de bom em mim e dissolve meus pensamentos e as preocupações de do meu dia. Eu espero que algum dia, as pessoas entendam que não é “apenas um cão”, mas aquilo que me torna mais humano e me permite não ser “apenas um homem”.

Então da próxima vez em que você escutar a frase “É apenas um cão”, apenas sorria para estas pessoas porque elas apenas não entendem… Olha bem no fundo dos olhos de um animal e por um momento troque de lugar com ele. A vida dele se tornará tão preciosa quanto a sua, e a sua tão vulnerável quanto a dele.

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Chefe Seattle – 1855

Trecho do manifesto do Chefe Seattle, respondendo em 1855  à proposta do presidente dos Estados Unidos de compra das terras dos índios… 

“(…) devem ensinar as crianças, que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam aos seus filhos que a terra é enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas crianças: que a terra é a nossa mãe. Tudo o que ocorrer com a terra, ocorrerá aos filhos da terra. Se os homens desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos. O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. O homem branco parece não sentir o ar que respira… Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar às crianças que os rios são nossos irmãos… Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar pra escutar o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto, mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida, se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxo dos sapos em volta de uma lagoa a noite?

Este manifesto é considerado como um dos mais profundos pronunciamentos a respeito da defesa do Meio Ambiente.

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Entrevista com Ferenc Zámolyi

O entrevistado de hoje é um dos principais aeromodelistas do Rio de Janeiro. É também um dos maiores colaboradores do U-Control brasileiro. Com os amigos, Ferenc Zámolyi.
_______________________________________________________________

1 – Quando e onde nasceu Ferenc Zámolyi?

Nasci na Hungria, em 20/12/1942, de onde saímos no final de 1944. Entre 1945 e 1949, minha família viveu na Alemanha e Itália. Em meados de 1949, meu pai, engenheiro aeronáutico, veio para o Brasil trabalhar no Aeroclube do Brasil, no Rio de Janeiro. Sou brasileiro naturalizado.

2 – Qual foi seu primeiro contato com o aeromodelismo?

Aos 10 ou 11 anos, montei meu primeiro modelo a elástico, de uma planta tirada de um Popular Mechanix, se não me engano. Nos anos seguintes construí muitos, evoluindo para planadores Nordic A-1 e A-2 e elásticos P-30. Comecei a voar U-Control (VCC) aos 15 ou 16 anos, com motores OK Cub 049, WB 2,5, Enya 15 e 19, no Aeroclube de Nova Iguaçu, onde fundamos o departamento de aeromodelismo, que chegou a reunir uns 15 praticantes. Tínhamos competições constantes de vôo livre, combate e rat-race.

3 – Dá pra fazer para nós um resumo sobre a era anterior a 3A? Como era o U-Control no Rio nessa época?

Não participei diretamente do U-Control carioca “oficial” até o início da década de 80. Após aquela primeira fase citada acima, alternei períodos de afastamento e ativos, voando “solitário” ou com pequenos grupos, fora da capital. No início da década de 80, já morando no Rio, comecei a freqüentar o Aterro e me filiei à ACA e, posteriormente ao CMVM e novamente à ACA. Retornei ao Aterro quando da reorganização do 3A, junto com um grupo de veteranos que se propuseram resgatar o VCC carioca. Portanto, não quero tecer comentários sobre o período anterior a isso. Mas, uma avaliação isenta demonstrará, sem dúvida, que o panorama não era nada bom.

4 – De 2001 a 2006 a 3A teve um crescimento exponencial. De lá para cá ocorreu um estacionamento, talvez até um declínio. O que você acha que houve?

Esse crescimento rápido e exponencial foi o resultado do trabalho dedicado de várias pessoas que se dispuseram a “carregar o piano” nas costas. Por começar praticamente do zero, a evolução inicial foi muito perceptível e real, qualitativa e qualitativamente. Formamos uma geração de bons pilotos e atingimos um patamar bastante significativo. Nos últimos tempos, ocorreu um desgaste natural que levou a essa sensação de declínio. Não há uma razão única, fácil de identificar. A vida real colocou sobre os principais atores demandas pressões cada vez maiores – vida profissional e familiar, cansaço físico e mental, prioridades diferenciadas, estilos de liderança variadas, uma certa dispersão de objetivos. Esses picos de altos e baixos, infelizmente, são mais comuns do que se imagina. Diria que está na hora de sacudirmos a poeira e revigorarmos as iniciativas que alguns anos atrás nos transformaram em uma referência do VCC nacional.

5 – Você foi convidado a colaborar com a COBRA e aceitou, se fosse para ser Diretor Técnico de VCC, aceitaria?

Sem querer ser omisso, décadas atrás prometi a mim mesmo que não mais aceitaria cargos executivos em qualquer organização esportiva. Já fui Presidente ou dirigente de associações de aeromodelismo, caça e pesca, tiro esportivo, culturais. Sinceramente, acho que já dei a minha contribuição e engoli a minha cota de sapos. Tenho o máximo prazer em assumir obrigações de natureza técnica, que não envolvam “política”. Há muitos outros, mais qualificados e “cheios de gás” que eu, para essas funções. Podem contar comigo, mas em funções de retaguarda.

6 – Em sua opinião, qual seria o modelo ideal para a formação de uma delegação brasileira para disputar um mundial?

Vou passar uma visão pessoal, não necessariamente a melhor ou a mais viável. Idealmente, a formação de uma delegação nacional deveria ser o resultado de um processo que eliminasse ao máximo a sorte, o imponderável, as influências regionais ou pessoais. Principalmente, deveria ser um processo em forma de pirâmide em que, partindo-se de uma base ampla (grande número de pilotos), se chegasse a um número reduzido que reunisse as melhores condições para tal. Por exemplo, seria definido que um determinado número de pilotos (15 ou 20) seriam pré-qualificados, com base em seus resultados em pelo menos 3 ou 4 provas oficiais durante o ano anterior ao ano do Mundial, para disputar as vagas na equipe. Em seguida, esses pilotos pré-selecionados participariam de duas seletivas, separadas por um ou dois meses e os cinco ou seis melhores colocados participariam de um confronto final em que seriam definidos os três titulares e as reservas, em ordem decrescente. Complicado e exagerado? Sem dúvida. Mas, reduzindo ao mínimo a sorte, eventuais condições pessoais momentâneas altamente favoráveis, boas colocações em provas de pouca expressão pouco disputadas, interferências regionais ou locais. Consistência e dedicação, esta seria a chave do sucesso. Existem formas melhores? Sem dúvida. É algo para se pensar e implementar.

7 – Se houvesse uma pesquisa para mudar a gama FAI de manobras, você excluiria ou mudaria alguma delas?

A gama está em uso há décadas e atende perfeitamente ao objetivo. Inclusive, é a mesma adotada pela AMA, com as mesmas manobras, embora com avaliações diferentes. Pequenos detalhes ou nuances podem e devem ser avaliados de tempos em tempos (e isso acontece), pois a evolução é constante e eventuais readequações podem ser desejáveis, ou mesmo necessárias. Nesse exato instante está em andamento uma consulta mundial sobre a conveniência ou não de se eliminar os fatores “k” da gama, em nome da simplicidade e consistência de pontuação. Mas, sinceramente, não vejo objetivo em modificar a gama.

8 – O que você pensa sobre os motores 4T em F2B? Usaria?

São mais uma opção moderna à disposição dos pilotos, com pontos positivos e negativos, segundo a ótica de cada um. No meu caso pessoal, como hoje em dia vôo de forma mais ou menos descompromissada, praticamente por lazer, em princípio não pretendo usá-los. Mas sem dúvida, junto com os pipados, os elétricos e um sem número de motores convencionais dedicados, fazem parte do leque de opções modernas que se apresenta aos praticantes do século XXI. Lembro que, por si só, o motor não é um elemento determinante. Estilo pessoal, modelo especificamente projetado para usar o potencial e características disponíveis, hélices e combustíveis coerentes, enfim, um “sistema” que atenda bem, este é o nome do jogo. O que é perfeito para um, pode não atender ao gosto de outro.

9 – E quanto aos pipados, qual a sua opinião?

Vale o que foi dito acima.

10 – Cite 5 modelos de F2B que considere “TOP”, cada um com seu motor.

Novamente, opinião pessoal, sem ordem de preferência:

AMAZON (Paulo Gomes), motor pipado

TRIVIAL PURSUIT (Ted Fancher), idem

CHEYENNE/EVOLUTION (Bene Rodriguez), motor convencional 60 ou 4T

YATSENKO (Yuri Yatsenko), motor Discovery Retro 61

IMPACT (Paul Walker), motor pipado, convencional 60 ou 4T

11 – Vamos aproveitar sua experiência para nossos leitores se inspirarem:

a) Combustível ideal para F2B e suas promocionais:

Uma formulação quase que universal para motores modernos, seria com 5% de nitrometano e 22% a 23% de óleo. Motores antigos, principalmente o Fox 35, precisam de mais óleo, até 28% a 29%. Motores 4T, 10% a 20% de nitro, 20% de óleo. Motores convencionais do leste europeu (Discovery, Stalker) são projetados para combustível sem nitro e 18% a 20% de óleo, às vezes sintético (ver manual). Nos OS 40 e 46, uso 5% nitro, 22% ~ 23% óleo. No ST 51, 10% nitro, 22% ~23% óleo Muitos usam combustível “careta”, sem nitro, abrindo mão de alguma potência, em nome de simplicidade e economia. Só recomendo lembrar que o óleo não tem a função apenas de lubrificar; também é fundamental para extrair calor, ao ser expulso sem queimar. Portanto, é vital para a refrigeração e o bom funcionamento do motor. Um modelo “limpinho”, sem resíduos de óleo, não é uma boa idéia. Sem exagerar, um pouco de óleo a mais é melhor que de menos.

b) Modelo de tanque que você utiliza:

Gosto de tanques uniflow, com o “uniflow” não exageradamente próximo do tubo de alimentação (afastado uns 10mm). Com os OS e Fox 35, não obtive bom resultado com pressurização. Já com o ST 51, a pressurização melhora muito o desempenho. Cada caso é um caso e vale a pena fazer alguns testes para determinar o melhor para cada caso específico.

c) Seu modelo atual e respectivo “set up”:

TIME MACHINE com ST 51, tanque uniflow do Mazzarino, combustível Byron 10% nitro e 23% óleo (óleo de rícino acrescido ao galão original), hélice Bolly 12 ½ x 5 ½, cabo 015 com 18,7 m entre olhós.

d) Praticante saindo da Mini-Fai para FAI, que modelo/motor você recomendaria?

Recomendo sem restrições o LEGACY da Brodak, com motor Super Tigre 51. É um conjunto perfeitamente harmônico, com grande potencial, sem “surpresas”. Também o STILETTO 660, com OS 46LA ou CB 46. Ou ainda o Mo’BEST (perfilado de alto desempenho), com qualquer um dos motores citados.

12 – Nos últimos dois mundiais, nossos participantes trouxeram centenas de fotos de modelos de acrobacia, onde 95% das hélices eram tri-pás, comente para nós sobre isso.

As hélices multi-pá (tri ou quadri-pá) são um recurso para melhor utilizar a potência disponível de um motor, quando a opção de bi-pá ficaria com diâmetro grande demais. Também ao diminuir o diâmetro da hélice, o efeito giroscópico tão nocivo para nós (precessão giroscópica) é diminuído, facilitando a trimagem e a eficiência do vôo. A perda de eficiência causada por um maior número de pás é negligenciável em relação ao ganho em eficiência obtido com um bom aproveitamento da potência disponível. Exemplo clássico da vida real era o F4U Corsair, caça naval americano da 2ª Guerra, com sua asa em gaivota invertida. O seu motor era tão possante, que mesmo uma hélice quadri-pá ainda era grande demais para a altura do trem de pouso. O objetivo da gaivota invertida era permitir um trem de pouso mais curto, mantendo a hélice afastada do solo.

13 – Na sua opinião, qual seria um método ideal de formação de juizes para F2B?

Primeiro – conscientização generalizada de que o juiz é uma peça fundamental para a existência da nossa modalidade.

Segundo – criação das condições necessárias para que os juízes tenham acesso a informações, orientações e experiências referentes ao julgamento e tenham a possibilidade de se comunicarem e interagirem para assegurar um mínimo de consistência e semelhança de critérios em qualquer lugar.

Terceiro – instituir procedimentos para que os dois primeiros itens sejam atendidos a contento; e paralelamente ao treinamento e valorização, criar mecanismos para que os de mau desempenho sejam banidos da função.

14 – Qual a maneira ideal de uma associação “formar” novos pilotos?

Receber bem os interessados, dedicar tempo a eles nas fases iniciais e também posteriores, orientá-los corretamente na escolha dos materiais e equipamentos, respeitar o “ritmo” de cada um para o vôo solo e posterior progresso. Não “freá-los” nem “acelerá-los”. Deixar a evolução de cada um fluir de forma natural, estando sempre presente para incentivar, orientar e auxiliar.

15 – Agora, sem ficar em cima do muro, cite os três melhores pilotos da atualidade de F2B no Rio, não necessariamente pela ordem:

Os que me conhecem sabem que não costumo ficar em cima do muro. Mas, selecionar 3 pilotos dentre os 7 ou 8 de nível semelhante que competem assiduamente no 3A , é praticamente impossível. Em um determinado dia, determinado piloto pode estar voando muito melhor que outro e este, dois meses depois estar em posição reversa. Dadas certas condições, qualquer dos pilotos do 3A hoje empenhados em competições podem se colocar entre os 3 melhores.

16 – E do Brasil?

Raciocínio semelhante. Em determinado dia específico, temos hoje pelo menos uma dúzia de pilotos que, havendo uma conjunção de fatores propícios a eles naquela dia, naquele vôo, podem tranqüilamente emergir como um dentre os três melhores.

17 – O Campeonato Brasileiro está aí, você vai trabalhar no evento ou competir?

Vou trabalhar no evento. Foi-me solicitado que dirigisse a prova de F2B e aceitei. Pretendo fazer uma prova fluida, isenta, sem eventuais complicadores relacionados a políticas pessoais e locais. Espero ter sucesso na empreitada.

18 – Foi ótimo “conversar” com você, quer deixar alguma mensagem?

A mensagem seria – “Gente, por mais que gostemos dos nossos aviãozinhos de cordinha, o aeromodelismo é apenas um hobby, ou esporte, que deveria nos trazer relaxamento e prazer e não desídia, conflitos, tensões. A vida real vem em primeiro lugar sempre – família, carreira, saúde, amizades. É preciso colocar as coisas na devida perspectiva e não perder o foco.”

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Entrevista com Jorge Homa

Paciente, como todo descendente oriental, meticuloso nosso entrevistado de hoje é uma pessoa extremamente dedicada ao aeromodelismo controlado por cabos. Dono de um profundo conhecimento, hoje conversamos com o sr. Jorge Homa.
_______________________________________________________________

1 – Onde e quando nasceu Jorge Homa?

Nascido em 1944, no interior de São Paulo.

2 – Como foi o primeiro contato com o aeromodelismo?

Aos 12 anos de idade, quando ganhei de presente o modelo “Cometa” a elástico, um kit da Casa Aerobrás.

3 – Você viveu a era Sérgio Ambrogi, assim como eu. Se o Serginho voasse nos dias de hoje com a tecnologia atual, ele teria concorrentes a altura ou estaria “sobrando” no ranking?

Tenho a impressão de que o Sérgio ficaria isolado em primeiro, e os demais se revezariam no segundo lugar. Sou levado a pensar dessa forma porque atualmente diversos competidores podem conquistar o primeiro lugar numa prova FAI de acrobacia, e isso era praticamente impossível na época do Sérgio.

4 – Para voar acrobacia com os velhos FOX 35, que combustível você recomenda?

Eu tenho seguido os conselhos dos “experts” americanos, ou seja, uso 28 a 29% de óleo e de 5 a 15% de nitrometano. Mas o combustível é apenas um detalhe. Muito mais importante é o perfeito ajuste das peças do motor, o que é, infelizmente, difícil de se conseguir com o Fox 35.

5 – Você se identificou muito com o Condor, já teve o Nobler?

Sim, tive quatro modelos Nobler. É o modelo acrobático de maior sucesso na história do aeromodelismo. Pessoalmente me adaptei melhor com o Condor porque responde mais rapidamente aos comandos. Creio, porém, que muitos o achariam demasiadamente “nervoso”. Além disso, exige um Fox em excelentes condições, sendo talvez esse o motivo por que o Condor nunca tenha sido um modelo de sucesso, exceto aquele do Sérgio Ambrogi.

6 – Ainda falando sobre acrobacia, se você tivesse o poder de alterar a gama, faria alguma mudança? Qual ou quais?

Quanto a esse assunto, novamente concordo com os americanos: não vejo motivos para alterar a atual gama de manobras. Ela é abrangente e difícil o bastante para permitir aos juízes uma clara distinção entre os vários competidores.

7 – Se você fosse construir um modelo da nova geração, usaria um pipado, 4T, ou o bom e velho 2T?

Usaria um pipado do tipo PA 75 ou um 2T tipo Retro Discovery. Não usaria 4T porque ele não se adapta naturalmente ao vôo acrobático; pelo contrário, obriga o piloto e o modelo a se adaptarem a ele.

8 – Muito se tem falado sobre as promocionais de acrobacia, em campeonatos brasileiros. Devem ser mantidas todas elas? qual sua opinião a respeito?

Na minha opinião, devem ser mantidas as quatro categorias atualmente existentes, ou seja, as três promocionais (Iniciante, Intermediária e Mini-FAI) e a categoria oficial FAI. Elas oferecem uma gradação natural quanto à dificuldade das manobras.

9 – Uma pergunta que também está muito em evidência. Qual sua opinião sobre o desmembramento do Campeonato Brasileiro? Separar as modalidades em locais e datas diferentes não vai esvaziar o campeonato?

Não esvaziará porque é improvável que algum competidor em Acrobacia deixe de participar do Campeonato Brasileiro alegando que Corrida, Combate ou Escala estão programados em datas ou locais diferentes. O desmembramento tem suas vantagens e desvantagens, mas se considerarmos o lado festivo do Campeonato, creio que a grande festa ficará de fato dividida em duas ou mais festas menores.

10 – O que você recomenda para os iniciantes no aeromodelismo a cabo em termos de equipamento (set-up completo)?

Um equipamento bom e simples. Não acho necessário adotar uma fórmula padrão, como “Tamanco B com motor CB25 e combustível sem nitro”. Pelo contrário, muitas fórmulas funcionam bem, desde que tudo seja fácil para o iniciante. Aquisição fácil, construção fácil, funcionamento fácil, pilotagem fácil. Mas eu sustento a opinião de que, para o iniciante, tão importante quanto o equipamento são as pessoas que orientarão os seus primeiros passos. Bons instrutores e bons amigos certamente ajudarão a alcançar mais facilmente os resultados desejados.

11 – O que você gostaria de opinar, e que não foi perguntado?

Creio que, para uma entrevista, as perguntas anteriores já são o suficiente.

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Entrevista com Castaldelli

Carismático, inteligente, amigo sincero e leal, uma figura ímpar em nosso meio, que não pode ficar de fora das provas de acrobacia. CASTALDELLI nos brinda com uma excelente entrevista, falando de nossa política, de seus anseios, sem ficar em cima do muro! Obrigado ao Castaldelli, esperamos que tire o modelo da parede e que volte a competir, pois a modalidade e nós, seus fãs, agradecemos.
_______________________________________________________________

1 – Onde e quando nasceu Castaldelli?
Nascido em Presidente Bernardes, aos 10/09/1963.

2 – Qual foi o primeiro contato com o aeromodelismo?
Foi em 1973, quando comprei pela primeira vez um motor WB25 (diesel), e daí fui conhecer o primeiro aeromodelo tamanco A, B entre outros daquela época.

3 – Já há algum tempo, é notório o crescimento exponencial da modalidade de acrobacia. Tudo já foi feito e dito para tentar alavancar a modalidade de combate, em sua opinião, o que está faltando para tanto?

Bem acho que contudo o que já foi feito dentro do F2B a categoria ainda pesa em alguns detalhes, principalmente com relação às provas, já que com o julgamento subjetivo ainda encontramos um certo bairrismo e uma forte política nas considerações de avaliação, não da qualidade de vôo, mas sim da pessoa que está praticando naquele momento. Com relação à modalidade de combate, acho que faltam instrutores e pessoas com experiência para passar os ensinamentos aos outros aeromodelistas. Acredito também que esta é uma das categorias que mais emocionam os espectadores, já que a busca pela fita é agressiva e necessita de grande pratica do piloto. Me recordo da final no mundial na Alemanha, na cidade de Seibnitz, quando saímos das pistas de F2B para assistirmos a final, foi simplesmente fantástico. Acho que os praticantes desta modalidade deveriam buscar a prática sempre com as fitas, já que é o fator principal desta modalidade. Qual é o piloto que, passando pela pista, e podendo ter a sorte de presenciar um combate, não pára pra assistir? Daí pode-se imaginar o que uma pessoa que está iniciando sente ao ver um show como estes.
4 – Como praticante de acrobacia, qual seria o modelo ideal para a formação de uma banca de juízes para a modalidade?

Bem, esta é uma questão tão subjetiva quanto o seu julgamento. Mas acredito que, dentro deste pouco tempo que tenho como competidor, o melhor seria termos um quadro de ex-pilotos para fazerem o julgamento e, para as provas locais, acho que na falta desses, um sendo dos 3 ou 5 pilotos mais experientes.

5 – Um clube já é difícil de gerir, você acredita que possamos ter Federações Estaduais dentro do nosso esporte?

Acredito sim, porque as Federações existem justamente para fortalecer e estruturar os clubes dentro do seu Estado, ou seja, a bem da verdade o que se deve fazer é descentralizar e desconcentrar esta carga que existe e que foi criada pela entidade maior, saudosa ABA, na pessoa do Sr. Edson Maluf, que com o feito de angariar votos para sua eleição praticamente fez o papel de uma Federação. A Federação deve existir, justamente para promover e incentivar o esporte/hobby dentro do seu Estado sem que haja interferência de qualquer outro, dando total assistência ao seu clube filiado e, por fim, possa ao final de um campeonato estadual, ter gerado verba suficiente para “bancar” seus pilotos finalistas para participarem, por exemplo de um Campeonato Brasileiro, e assim por diante. Daí a suma importância da presença das Federações, e acho que estamos muito próximos disso, porém é necessário que se consiga passar e somar estes propósitos em um todo, para que não haja divergência quanto ao rumo a ser adotado.

6 – Muito tem-se falado de incentivo monetário do governo. Afinal, como conseguir esse tal incentivo?

Bem, esta meta é, de certa forma, fácil. Veja você que o Benê por muitos anos vinha se mantendo nas viagens e nas provas realizadas aqui em São Paulo com ajuda de verba advinda da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretária Municipal de Esporte, estando ele sempre envolvido no meio esportivo (político). Daí pode-se e deve ser feito, com a COBRA. Porém, não resolve conseguir a verba e dela não partilhar para o esporte/hobby. Hoje existem os meios legais para que se possam prever gastos e para isso deve ser feito uma previsão orçamentária e encaminhada a quem de direito, para assim o Aeromodelismo ter sua vez.

7 – Você já teve vontade de parar com as competições por conta de não concordar com resultados de provas?

Por várias vezes, inclusive já parei de competir e no presente momento estou fora de qualquer prova, quer por incompetência daqueles que julgam, quer por bairrismo, e o pior, por política, face a estar envolvido na parte administrativa da então ABA. O fato gerador deste acontecimento é que antes mesmo das provas iniciarem, já podemos saber quem serão os vencedores. Isso é um desastre para o aeromodelismo, e o que deixa patente este fato é que ninguém é para sempre, e os nossos resultados não se mostram desta forma, pois com tantos pilotos experientes que já temos, não se deixam “decolar”, justamente por causa do citado “bairrismo”. Veja você que até mesmo o Rei do Futebol, com reconhecimento mundial um dia “pendurou as chuteiras”, já no aeromodelismo…. Se nós não dermos a oportunidade “justa” aos que chegam, vamos sucumbir e, enquanto nossos “juízes” não tomarem ciência destes fatos, vamos sucumbir definitivamente.

8 – Sem ficar em cima do muro, cite três competidores de F2B que julga ideais hoje para representar o Brasil num mundial.

Inicialmente acho que não posso responder esta pergunta sem antes fazer uma consideração que é: para que se tenha um competidor a nível internacional, é necessário que sejamos conhecidos e depois reconhecidos internacionalmente, e porque digo isso? Veja, neste último campeonato mundial realizado na cidade de Valladolid na Espanha, os 15 finalistas foram os mesmos que participaram 30 dias antes de uma prova realizada no mesmo local do mundial, digo isso porque tenha a matéria feita pela revista francesa que comprei no local, de produção da Sra. Verônica (mulher do Beringer), onde pude constar através de fotos e da matéria em si. Outro fator importante é o preparo técnico dos pilotos que aceitam a convocação (já que cada um paga a sua despesa), veja que quando conquista-se uma posição no “ranking” que determina a classificação do piloto para representar o Brasil, a primeira idéia é trocar o modelo “surrado” por um novo, daí o primeiro grande erro e, por fim, a falta de treino e de orientação do piloto (que fica vendido à informações dos próprios “amigos”). Acho realmente que temos vários pilotos de ponta no Brasil, mas faltam a eles treino e correções para se posicionarem de forma melhor no ranking mundial, e declino alguns nomes, mas alerto que, sem treino, nada feito: Paulo Gomes (dedicação em primeiro lugar, embora não aceite opinião e não sei se foi de tanto escutar coisa errada deixando de acreditar nos “amigos” , digo isso porque viajei para a Espanha com o mesmo e pude sentir isso, já que, de vez em quando me ouvia). Rogério (falta treino e até não diria tanto, mas falta um técnico experiente para orientá-lo, acredito nele porque sabe ouvir e aprende rápido, digo isso também porque já pude orientá-lo algumas vezes nas pistas e rapidamente assimilou e obteve resultado positivo, isso é bom). Castaldelli. Obviamente que poderia citar mais alguns pilotos e até falar alguns nomes mais conhecidos, mas ao longo do tempo, aprendemos que uns estão ligados diretamente com o fim de sobreviver do esporte/hobby, com fins lucrativos (caso dos irmãos Yathenkos), porém falta a mesma tecnologia, o que nunca traz resultados para o Brasil, mas sim pessoal. Outros com o propósito apenas e tão somente de auto-estima, e para o Brasil nada! Daí minha escolha no momento, sem desprezar qualquer outro piloto brasileiro.

9 – Agora “colando varetas” cite três modelos que você montaria para esses três motores:

FOX 35 – Condor com 1.050 gramas, no máximo.
SUPER TIGRE 60 – Celebration II, com 1.60 gramas, no máximo.
SAITO 72 – Fúria, com 1.750 gramas, no máximo.

10 – Considero você uma pessoa extremamente carismática, e já tem algum tempo que venho comentando com amigos que você seria a pessoa certa para presidir a COBRA, conhece muito de R/C e tudo de VCC, já pensou no assunto?

Já teve um tempo que realmente pensei nesta possibilidade, mas acredito que a COBRA deveria partir para outro Estado, tomar “ar fresco”, sair um pouco para “conhecer“ outros Estado do Brasil, tem muita gente boa espalhada em nosso País. Afinal, ela não precisa estar fincada em São Paulo e/ou no Rio de Janeiro. Já teve um tempo que pensei em me candidatar, mas isso ficou para trás, pois sei que administrar uma entidade máxima não é fácil e requer fidelidade dos “amigos” para uma boa administração. Hoje não, quem sabe um dia eu pense nisso novamente.

11 – Nosso querido e eterno “presidente” Walter Nutini sempre contou com a aeronáutica para auxiliá-lo na ABA, porque nossos presidentes não procuram mais por essa ajuda? Não acha que seria um caminho?

Sem dúvida, o Sr. Walter Nutini presidiu nosso instituição em outros tempos, assim como outros presidentes, e sem dúvida acho que esse é o melhor caminho, mas aos poucos e com o passar dos anos, a ABA foi se distanciando da aeronáutica para ganhar espaço. Acho que isso pode ser revertido hoje, já que a COBRA tem seu espaço e poderia ganhar novamente o apoio da Aeronáutica.

12 – Não acha que a COBRA deveria ter uma sede própria? Talvez em São Paulo?

Não. Acho que a COBRA não deve ter escritório, deve ser sempre itinerante e a sede deve ser sempre na casa do seu presidente ou, quando possível, no local escolhido pelo seu Presidente. Digo isso porque não podemos estagnar esta entidade, devemos conduzi-la por todo o Brasil, do contrário estaríamos centralizando mandos e desmandos, sem dar novas oportunidades para o crescimento do aeromodelismo, daí a idéia que ficou sufocada pelo Sr. Edson Maluf em criar os Delegados Estaduais (mini sede da COBRA nos Estados) para facilitar e difundir não só a parte burocrática do nosso esporte/hobby, mas para dar novas oportunidades e também para gerar novos candidatos à presidência desta Instituição.
13 – Como estamos de “base”? Acha que os clubes têm olhado para os manicacas, ou apenas para os “ranqueadores”?

Só para os “ranqueadores”. Os “manicacas”, são apenas para manter as despesas dos clubes, falta realmente o incentivo e o “empurrão” para que os nossos “manicacas” parem do voar de T-25 ou modelo parecido, falta encorajá-los para pilotar um Celebration, um Fúria, um P-47, etc.

14 – Na sua opinião o CASA é um exemplo a ser seguido, ou ainda falta algo?

Gosto muito do clube CASA, e acho que é um exemplo a ser seguido, acho que é um bom clube como a UPA, UBA, 3A, CARJ, entre outros, e cada um na sua modalidade. São Clubes que estão persistindo e aos poucos crescendo.

15 – Você vai participar do campeonato brasileiro de F2B, no Rio de Janeiro?

Espero voltar à praticar por esses dias, já que estou com meu modelo novo, o Celebration II N.52, e acredito ser uma revelação dentre os modelos que conhecemos, com 1.80 de envergadura e 1.10 de fuselagem, pesa 1.550 gramas e está com o motor OS 52 4 tempos, peso final, assim acredito que seja um bom motivo para eu voltar pra pista. Assim, se realmente ocorrer isso, estarei no Rio de Janeiro para participar do Brasileiro, e rever os amigos.

16 – Encerre falando qualquer assunto que gostaria de ter sido abordado, mas que faltou ser perguntado.

Bem acho que toda esta questão política da realização ou não do Brasileiro deve ser acatada, porque não podemos bater de frente com a Instituição, devemos tentar contornar os problemas da melhor maneira, e o que tenho acompanhado é uma forte movimentação política de alguns pilotos (SP), uns que nem aparecem, e outros que se expõem ao fogo cruzado, podendo restar duras penas a esses (falo por experiência). Acho que devemos contribuir para a COBRA e darmos a chance de realizarmos um bom Campeonato Brasileiro, e faço aqui minha manifestação, já que não me pronunciei e não me pronunciarei na lista.

Grande abraço, Castaldelli.

Publicado por: Belmonte | maio 1, 2008

Entrevista com Walter Nutini

Ele é o maior dirigente que já passou pelo aeromodelismo nacional. Quem teve a oportunidade, como eu tive, de participar dos eventos criados por ele sabe muito bem avaliar o que estou falando. Eu digo que ele está para o aeromodelismo como Pelé está para o futebol. Nunca mais teremos um dirigente como ele.
Walter Nutini é o nosso entrevistado de hoje.
_______________________________________________________________

1 – Onde e quando nasceu Walter Nutini?

Em São Paulo/SP – no bairro onde se situa o Center Norte, em 09/08/1930.

2 – Como foi seu “primeiro contato” com o aeromodelismo?

Em 1944, ao ver através da janela da residência de um primo, um garoto soltando um modelo. Era um Extraviador da Casa Aero Brás. Todo azul, voando bem e me encantou na hora.

3 – Sabemos que o senhor é um exímio praticante de vôo livre. Nunca voou U-Control?

Pratiquei com grande entusiasmo o vôo-livre. Gostava de disputar provas comuns, campeonatos nacionais e internacionais. Certa vez, construí um Nobler de U/C, acredito que nunca tive competência para fazer as manobras maravilhosas que alguns amigos faziam nas pistas do Ibirapuera. Ele voava muito bem, eu não. Construí um RC biplano, acho que o nome era Laze Ace. Tirei de uma revista americana. Soube que não era minha paixão, quando quebrei-o num pouso mal sucedido. Voltei para casa e simplesmente pendurei-o. Não sei se concorda comigo, mas quando isto acontece, você fica aborrecido mas não vê a hora de voltar para sua oficina, consertar o bicho e voar novamente. Me desculpe o termo “chulo”, mas sem este “tesão” o hobby não funciona. Admiro todas as modalidades e respeito profundamente cada aeromodelista que constrói e voa seu modelo.

4 – Quantas vezes o senhor foi presidente da ABA?

Presidi a ABA três vezes e fui vice por outras duas vezes. Fui presidente e vice da FPM outros 8 anos. Tive o enorme prazer em participar durante quarenta anos de varias diretorias, clubes e entidades desse esporte-ciência. Maluco?

5 – Em uma de suas brilhantes passagens pela ABA, adquiriu e repassou para os clubes dezenas de motores Super Tigre X 15 e Super Tigre 46, como conseguiu isso? Seria possivel a COBRA fazer isso hoje?

Os tempos são outros. Assim que fui eleito para a ABA, entrei em contato imediatamente com a Aeronáutica. Sempre entendi e continuo entendendo que o aeromodelismo é um fantástico meio para inocular nos jovens o vírus da aviação. Aviação é uma vocação, quase um sacerdócio. Provei isto a inúmeros Brigadeiros, dirigentes da aeronáutica, que em todo mundo todas as forças aéreas vão buscar suas reservas humanas dentre os praticantes do aeromodelismo. Assim foi principalmente na II Grande Guerra, quando num enorme esforço, se construía, em média, uma Fortaleza Voadora a cada dois dias, e um piloto se precisava de 20 anos. Onde encontrar doidos para voar de imediato? Só os moleques apaixonados pelo aeromodelismo. Leia-se a historia da RAF, da Força aérea do Goering, e dos EUA. Contei sempre com o apoio incondicional dos militares da Aeronáutica. Infelizmente, este não foi o caminho perseguido pelos que me sucederam. Tenho a certeza que uma nova aproximação com eles, demonstrando com competência, organização e honestidade de trabalho, ou seja, uma via de duas mãos, tudo se consegue. A CoBra pode conseguir, é só mostrar serviço. Dirigentes políticos ou aproveitadores – “FÓRA”.

6 – Qual era o segredo da ABA ser tão atuante em todas as modalidades de nosso esporte em sua época?

Respeito a todas as modalidades e não privilegiar só as que os dirigentes praticam. Nunca dividir por modalidade, sempre agrupar. Nada de Campeonatos divididos, e se isto der trabalho, que se unam todos. Trabalhem, planejem e não tenham medo de pedir a qualquer autoridade, seja de que nível for, o que precisar para efetuar um grande evento. Só grandes projetos e desafios entusiasmam estas autoridades. Se é necessário promoção, só haverá interessados se mostrar força e grandeza. Nada de Campeonatos com 20 participantes. Deixar as competições menores para os clubes. Apoiá-los no que for necessário mas nunca fazer de uma simples competição um evento nacional. Isto é demonstração de fraqueza.

7 – O senhor conseguiu levar mais de 100 pessoas para um campeonato brasileiro em Roraima, tem idéia da grandeza desse feito? Até hoje as pessoas que lá estiveram lhe reverenciam, foi um feito fantástico. Acredita que seria possível fazer um campeonato brasileiro com todas as modalidades nos dias de hoje?

Isto foi uma grande historia do aeromodelismo e, talvez por ser extenso demais, seria bom ler o que mencionei acima em “Minhas Memórias”. Tive a honra de conhecer o Governador de Roraima, Coronel Ramos Pereira. Apaixonado pela aviação e principalmente pelo aeromodelismo. Tinha na ocasião, o Ten. Brig. Deoclecio Lima de Siqueira, diretor do DAC e posteriormente presidente do Superior Tribunal Militar. Com estas duas brilhantes peças e já os mesmos conhecendo o trabalho da ABA no recente Campeonato Sul-americano realizado por nós em Brasília, com um bom projeto, planejamento logístico completo, esforço de toda uma diretoria da ABA, foi realizado este que talvez tenha sido um dos mais belos eventos produzidos no aeromodelismo.

8 – Hoje existem categorias promocionais em todas as modalidades FAI, como se fossem um trampolim, acha isso válido para um campeonato brasileiro ou acha que isso deveria ser somente nas provas, digamos “caseiras” (só nos clubes)?

O grande problema do aeromodelismo é que surgem a cada dia novas modalidades, de acordo com as conquistas técnicas. Isto divide muito. Concordo plenamente que devam existir provas promocionais, que irão suprir de novos competidores os quadros esportivos. É valido mas talvez deveriam ser disputadas em clubes. Como você bem colocou, um trampolim para novas conquistas pessoais. Mas colocá-las dentro de um Campeonato Nacional seria talvez complicar demais a organização com tantas competições e dias disponíveis. Os dirigentes dos clubes e da CoBra devem sentar-se a uma mesa e discutir a fundo o problema. Trata-se de fazer crescer o nosso esporte. Nunca desestimular os novatos. A pirâmide começa pela base grande e vai afunilando até os grandes campeões. Assim é o esporte. Todos tem um grande valor, o iniciante e o craque. Nenhum é bom sozinho.

9 – Eu sinto que presidentes da COBRA oriundos do Rádio Controle não tem “feeling”, nem interesse suficiente, pra gerir as coisas do U-Control, salvo algumas raras exceções. Acha que seria possível a criação de uma Confederação Brasileira de Aeromodelismo Controlado por Cabos? Ou existe algum impedimento?

Os presidentes eleitos da CoBra o são pelos votos dos dirigentes presentes nas Assembléias. Estive presente nas duas últimas como convidado e membro do Conselho Consultivo. Não há desculpas. Nas duas eleições só se apresentou um candidato em cada uma. A culpa cabe a todos. Não se apresentaram para uma disputa, pois todo sabem que o cargo é espinhoso e geralmente sujeito a muitas críticas. Tenho ouvido falar das distâncias e concordo. Por que então não fazer as Assembléias durante os Campeonatos Nacionais onde estão sendo disputados? Na ultima eleição havia 18 clubes presentes e um só candidato? Reclamar do quê? Parece que o único objetivo era levar a CoBra para outra cidade que não SP? Isto é bairrismo infeliz. Antes da Assembléia me informaram que havia 3 candidatos, os quais me procuraram para saber minha opinião e apoio? Onde estavam eles nesse dia? Acredito que haja bons nomes dentro de todas as modalidades, e é lógico que inclusive dentro do RC. Apenas não se deve eleger alguém que tenha só interesse em priorizar uma delas, interesse político ou vaidade pessoal sem ter sequer algum conhecimento de nosso esporte. Não vejo impedimento em criar-se outra Confederação. Isto apenas estaria contra tudo o que tenho apregoado, ou seja, unir, e não separar para ter força. Sei do descontentamento de vários setores, mas o correto é encontrar elementos sérios, para cuidar dos problemas cotidianos. Todos os esportes nacionais, modernos, têm uma diretoria eleita, que dirigem o esporte e que contratam uma diretoria executiva com salários, etc… Trabalhar diariamente é impossível a qualquer um, mesmo sendo aposentado. É só organizar. Renda, hoje tem.

10 – Em caso de ser possível a criação de uma Confederação Brasileira de Aeromodelismo Controlado por Cabos, aceitaria a indicação para ser presidente da mesma?

Respondido. Complementando, trabalho até hoje para meu sustento. Hoje eu não poderia, embora me honrasse, dedicar meu tempo, já com boa idade, algo diferente do que fora de minha profissão, que é dentro da construção civil. Às vezes me perguntam porque não me apresentei como candidato a presidente da CoBra. A resposta está acima e também porque existe dentro dos Estatutos um impedimento que é: nenhum dirigente da ABA ou CoBra, poderá exercer o cargo se for “falido”. Minha Construtora faliu em 1998.

11 – Tem alguma pergunta que deixamos de fazer e que gostaria de falar aqui?
Fique à vontade para perguntar o que quiser e quando considerar que as respostas servem para seu propósito. Aceite um grande abraço – Nutini

« Novos Posts

Categorias