Carismático, inteligente, amigo sincero e leal, uma figura ímpar em nosso meio, que não pode ficar de fora das provas de acrobacia. CASTALDELLI nos brinda com uma excelente entrevista, falando de nossa política, de seus anseios, sem ficar em cima do muro! Obrigado ao Castaldelli, esperamos que tire o modelo da parede e que volte a competir, pois a modalidade e nós, seus fãs, agradecemos.
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1 - Onde e quando nasceu Castaldelli?
Nascido em Presidente Bernardes, aos 10/09/1963.
2 - Qual foi o primeiro contato com o aeromodelismo?
Foi em 1973, quando comprei pela primeira vez um motor WB25 (diesel), e daí fui conhecer o primeiro aeromodelo tamanco A, B entre outros daquela época.
3 - Já há algum tempo, é notório o crescimento exponencial da modalidade de acrobacia. Tudo já foi feito e dito para tentar alavancar a modalidade de combate, em sua opinião, o que está faltando para tanto?
Bem acho que contudo o que já foi feito dentro do F2B a categoria ainda pesa em alguns detalhes, principalmente com relação às provas, já que com o julgamento subjetivo ainda encontramos um certo bairrismo e uma forte política nas considerações de avaliação, não da qualidade de vôo, mas sim da pessoa que está praticando naquele momento. Com relação à modalidade de combate, acho que faltam instrutores e pessoas com experiência para passar os ensinamentos aos outros aeromodelistas. Acredito também que esta é uma das categorias que mais emocionam os espectadores, já que a busca pela fita é agressiva e necessita de grande pratica do piloto. Me recordo da final no mundial na Alemanha, na cidade de Seibnitz, quando saímos das pistas de F2B para assistirmos a final, foi simplesmente fantástico. Acho que os praticantes desta modalidade deveriam buscar a prática sempre com as fitas, já que é o fator principal desta modalidade. Qual é o piloto que, passando pela pista, e podendo ter a sorte de presenciar um combate, não pára pra assistir? Daí pode-se imaginar o que uma pessoa que está iniciando sente ao ver um show como estes.
4 - Como praticante de acrobacia, qual seria o modelo ideal para a formação de uma banca de juízes para a modalidade?
Bem, esta é uma questão tão subjetiva quanto o seu julgamento. Mas acredito que, dentro deste pouco tempo que tenho como competidor, o melhor seria termos um quadro de ex-pilotos para fazerem o julgamento e, para as provas locais, acho que na falta desses, um sendo dos 3 ou 5 pilotos mais experientes.
5 - Um clube já é difícil de gerir, você acredita que possamos ter Federações Estaduais dentro do nosso esporte?
Acredito sim, porque as Federações existem justamente para fortalecer e estruturar os clubes dentro do seu Estado, ou seja, a bem da verdade o que se deve fazer é descentralizar e desconcentrar esta carga que existe e que foi criada pela entidade maior, saudosa ABA, na pessoa do Sr. Edson Maluf, que com o feito de angariar votos para sua eleição praticamente fez o papel de uma Federação. A Federação deve existir, justamente para promover e incentivar o esporte/hobby dentro do seu Estado sem que haja interferência de qualquer outro, dando total assistência ao seu clube filiado e, por fim, possa ao final de um campeonato estadual, ter gerado verba suficiente para “bancar” seus pilotos finalistas para participarem, por exemplo de um Campeonato Brasileiro, e assim por diante. Daí a suma importância da presença das Federações, e acho que estamos muito próximos disso, porém é necessário que se consiga passar e somar estes propósitos em um todo, para que não haja divergência quanto ao rumo a ser adotado.
6 - Muito tem-se falado de incentivo monetário do governo. Afinal, como conseguir esse tal incentivo?
Bem, esta meta é, de certa forma, fácil. Veja você que o Benê por muitos anos vinha se mantendo nas viagens e nas provas realizadas aqui em São Paulo com ajuda de verba advinda da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretária Municipal de Esporte, estando ele sempre envolvido no meio esportivo (político). Daí pode-se e deve ser feito, com a COBRA. Porém, não resolve conseguir a verba e dela não partilhar para o esporte/hobby. Hoje existem os meios legais para que se possam prever gastos e para isso deve ser feito uma previsão orçamentária e encaminhada a quem de direito, para assim o Aeromodelismo ter sua vez.
7 - Você já teve vontade de parar com as competições por conta de não concordar com resultados de provas?
Por várias vezes, inclusive já parei de competir e no presente momento estou fora de qualquer prova, quer por incompetência daqueles que julgam, quer por bairrismo, e o pior, por política, face a estar envolvido na parte administrativa da então ABA. O fato gerador deste acontecimento é que antes mesmo das provas iniciarem, já podemos saber quem serão os vencedores. Isso é um desastre para o aeromodelismo, e o que deixa patente este fato é que ninguém é para sempre, e os nossos resultados não se mostram desta forma, pois com tantos pilotos experientes que já temos, não se deixam “decolar”, justamente por causa do citado “bairrismo”. Veja você que até mesmo o Rei do Futebol, com reconhecimento mundial um dia “pendurou as chuteiras”, já no aeromodelismo…. Se nós não dermos a oportunidade “justa” aos que chegam, vamos sucumbir e, enquanto nossos “juízes” não tomarem ciência destes fatos, vamos sucumbir definitivamente.
8 - Sem ficar em cima do muro, cite três competidores de F2B que julga ideais hoje para representar o Brasil num mundial.
Inicialmente acho que não posso responder esta pergunta sem antes fazer uma consideração que é: para que se tenha um competidor a nível internacional, é necessário que sejamos conhecidos e depois reconhecidos internacionalmente, e porque digo isso? Veja, neste último campeonato mundial realizado na cidade de Valladolid na Espanha, os 15 finalistas foram os mesmos que participaram 30 dias antes de uma prova realizada no mesmo local do mundial, digo isso porque tenha a matéria feita pela revista francesa que comprei no local, de produção da Sra. Verônica (mulher do Beringer), onde pude constar através de fotos e da matéria em si. Outro fator importante é o preparo técnico dos pilotos que aceitam a convocação (já que cada um paga a sua despesa), veja que quando conquista-se uma posição no “ranking” que determina a classificação do piloto para representar o Brasil, a primeira idéia é trocar o modelo “surrado” por um novo, daí o primeiro grande erro e, por fim, a falta de treino e de orientação do piloto (que fica vendido à informações dos próprios “amigos”). Acho realmente que temos vários pilotos de ponta no Brasil, mas faltam a eles treino e correções para se posicionarem de forma melhor no ranking mundial, e declino alguns nomes, mas alerto que, sem treino, nada feito: Paulo Gomes (dedicação em primeiro lugar, embora não aceite opinião e não sei se foi de tanto escutar coisa errada deixando de acreditar nos “amigos” , digo isso porque viajei para a Espanha com o mesmo e pude sentir isso, já que, de vez em quando me ouvia). Rogério (falta treino e até não diria tanto, mas falta um técnico experiente para orientá-lo, acredito nele porque sabe ouvir e aprende rápido, digo isso também porque já pude orientá-lo algumas vezes nas pistas e rapidamente assimilou e obteve resultado positivo, isso é bom). Castaldelli. Obviamente que poderia citar mais alguns pilotos e até falar alguns nomes mais conhecidos, mas ao longo do tempo, aprendemos que uns estão ligados diretamente com o fim de sobreviver do esporte/hobby, com fins lucrativos (caso dos irmãos Yathenkos), porém falta a mesma tecnologia, o que nunca traz resultados para o Brasil, mas sim pessoal. Outros com o propósito apenas e tão somente de auto-estima, e para o Brasil nada! Daí minha escolha no momento, sem desprezar qualquer outro piloto brasileiro.
9 - Agora “colando varetas” cite três modelos que você montaria para esses três motores:
FOX 35 - Condor com 1.050 gramas, no máximo.
SUPER TIGRE 60 - Celebration II, com 1.60 gramas, no máximo.
SAITO 72 - Fúria, com 1.750 gramas, no máximo.
10 - Considero você uma pessoa extremamente carismática, e já tem algum tempo que venho comentando com amigos que você seria a pessoa certa para presidir a COBRA, conhece muito de R/C e tudo de VCC, já pensou no assunto?
Já teve um tempo que realmente pensei nesta possibilidade, mas acredito que a COBRA deveria partir para outro Estado, tomar “ar fresco”, sair um pouco para “conhecer“ outros Estado do Brasil, tem muita gente boa espalhada em nosso País. Afinal, ela não precisa estar fincada em São Paulo e/ou no Rio de Janeiro. Já teve um tempo que pensei em me candidatar, mas isso ficou para trás, pois sei que administrar uma entidade máxima não é fácil e requer fidelidade dos “amigos” para uma boa administração. Hoje não, quem sabe um dia eu pense nisso novamente.
11 - Nosso querido e eterno “presidente” Walter Nutini sempre contou com a aeronáutica para auxiliá-lo na ABA, porque nossos presidentes não procuram mais por essa ajuda? Não acha que seria um caminho?
Sem dúvida, o Sr. Walter Nutini presidiu nosso instituição em outros tempos, assim como outros presidentes, e sem dúvida acho que esse é o melhor caminho, mas aos poucos e com o passar dos anos, a ABA foi se distanciando da aeronáutica para ganhar espaço. Acho que isso pode ser revertido hoje, já que a COBRA tem seu espaço e poderia ganhar novamente o apoio da Aeronáutica.
12 - Não acha que a COBRA deveria ter uma sede própria? Talvez em São Paulo?
Não. Acho que a COBRA não deve ter escritório, deve ser sempre itinerante e a sede deve ser sempre na casa do seu presidente ou, quando possível, no local escolhido pelo seu Presidente. Digo isso porque não podemos estagnar esta entidade, devemos conduzi-la por todo o Brasil, do contrário estaríamos centralizando mandos e desmandos, sem dar novas oportunidades para o crescimento do aeromodelismo, daí a idéia que ficou sufocada pelo Sr. Edson Maluf em criar os Delegados Estaduais (mini sede da COBRA nos Estados) para facilitar e difundir não só a parte burocrática do nosso esporte/hobby, mas para dar novas oportunidades e também para gerar novos candidatos à presidência desta Instituição.
13 - Como estamos de “base”? Acha que os clubes têm olhado para os manicacas, ou apenas para os “ranqueadores”?
Só para os “ranqueadores”. Os “manicacas”, são apenas para manter as despesas dos clubes, falta realmente o incentivo e o “empurrão” para que os nossos “manicacas” parem do voar de T-25 ou modelo parecido, falta encorajá-los para pilotar um Celebration, um Fúria, um P-47, etc.
14 - Na sua opinião o CASA é um exemplo a ser seguido, ou ainda falta algo?
Gosto muito do clube CASA, e acho que é um exemplo a ser seguido, acho que é um bom clube como a UPA, UBA, 3A, CARJ, entre outros, e cada um na sua modalidade. São Clubes que estão persistindo e aos poucos crescendo.
15 - Você vai participar do campeonato brasileiro de F2B, no Rio de Janeiro?
Espero voltar à praticar por esses dias, já que estou com meu modelo novo, o Celebration II N.52, e acredito ser uma revelação dentre os modelos que conhecemos, com 1.80 de envergadura e 1.10 de fuselagem, pesa 1.550 gramas e está com o motor OS 52 4 tempos, peso final, assim acredito que seja um bom motivo para eu voltar pra pista. Assim, se realmente ocorrer isso, estarei no Rio de Janeiro para participar do Brasileiro, e rever os amigos.
16 - Encerre falando qualquer assunto que gostaria de ter sido abordado, mas que faltou ser perguntado.
Bem acho que toda esta questão política da realização ou não do Brasileiro deve ser acatada, porque não podemos bater de frente com a Instituição, devemos tentar contornar os problemas da melhor maneira, e o que tenho acompanhado é uma forte movimentação política de alguns pilotos (SP), uns que nem aparecem, e outros que se expõem ao fogo cruzado, podendo restar duras penas a esses (falo por experiência). Acho que devemos contribuir para a COBRA e darmos a chance de realizarmos um bom Campeonato Brasileiro, e faço aqui minha manifestação, já que não me pronunciei e não me pronunciarei na lista.
Grande abraço, Castaldelli.