Entrevista com Jorge Homa

Paciente, como todo descendente oriental, meticuloso nosso entrevistado de hoje é uma pessoa extremamente dedicada ao aeromodelismo controlado por cabos. Dono de um profundo conhecimento, hoje conversamos com o sr. Jorge Homa.
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1 - Onde e quando nasceu Jorge Homa?

Nascido em 1944, no interior de São Paulo.

2 - Como foi o primeiro contato com o aeromodelismo?

Aos 12 anos de idade, quando ganhei de presente o modelo “Cometa” a elástico, um kit da Casa Aerobrás.

3 - Você viveu a era Sérgio Ambrogi, assim como eu. Se o Serginho voasse nos dias de hoje com a tecnologia atual, ele teria concorrentes a altura ou estaria “sobrando” no ranking?

Tenho a impressão de que o Sérgio ficaria isolado em primeiro, e os demais se revezariam no segundo lugar. Sou levado a pensar dessa forma porque atualmente diversos competidores podem conquistar o primeiro lugar numa prova FAI de acrobacia, e isso era praticamente impossível na época do Sérgio.

4 - Para voar acrobacia com os velhos FOX 35, que combustível você recomenda?

Eu tenho seguido os conselhos dos “experts” americanos, ou seja, uso 28 a 29% de óleo e de 5 a 15% de nitrometano. Mas o combustível é apenas um detalhe. Muito mais importante é o perfeito ajuste das peças do motor, o que é, infelizmente, difícil de se conseguir com o Fox 35.

5 - Você se identificou muito com o Condor, já teve o Nobler?

Sim, tive quatro modelos Nobler. É o modelo acrobático de maior sucesso na história do aeromodelismo. Pessoalmente me adaptei melhor com o Condor porque responde mais rapidamente aos comandos. Creio, porém, que muitos o achariam demasiadamente “nervoso”. Além disso, exige um Fox em excelentes condições, sendo talvez esse o motivo por que o Condor nunca tenha sido um modelo de sucesso, exceto aquele do Sérgio Ambrogi.

6 - Ainda falando sobre acrobacia, se você tivesse o poder de alterar a gama, faria alguma mudança? Qual ou quais?

Quanto a esse assunto, novamente concordo com os americanos: não vejo motivos para alterar a atual gama de manobras. Ela é abrangente e difícil o bastante para permitir aos juízes uma clara distinção entre os vários competidores.

7 - Se você fosse construir um modelo da nova geração, usaria um pipado, 4T, ou o bom e velho 2T?

Usaria um pipado do tipo PA 75 ou um 2T tipo Retro Discovery. Não usaria 4T porque ele não se adapta naturalmente ao vôo acrobático; pelo contrário, obriga o piloto e o modelo a se adaptarem a ele.

8 - Muito se tem falado sobre as promocionais de acrobacia, em campeonatos brasileiros. Devem ser mantidas todas elas? qual sua opinião a respeito?

Na minha opinião, devem ser mantidas as quatro categorias atualmente existentes, ou seja, as três promocionais (Iniciante, Intermediária e Mini-FAI) e a categoria oficial FAI. Elas oferecem uma gradação natural quanto à dificuldade das manobras.

9 - Uma pergunta que também está muito em evidência. Qual sua opinião sobre o desmembramento do Campeonato Brasileiro? Separar as modalidades em locais e datas diferentes não vai esvaziar o campeonato?

Não esvaziará porque é improvável que algum competidor em Acrobacia deixe de participar do Campeonato Brasileiro alegando que Corrida, Combate ou Escala estão programados em datas ou locais diferentes. O desmembramento tem suas vantagens e desvantagens, mas se considerarmos o lado festivo do Campeonato, creio que a grande festa ficará de fato dividida em duas ou mais festas menores.

10 - O que você recomenda para os iniciantes no aeromodelismo a cabo em termos de equipamento (set-up completo)?

Um equipamento bom e simples. Não acho necessário adotar uma fórmula padrão, como “Tamanco B com motor CB25 e combustível sem nitro”. Pelo contrário, muitas fórmulas funcionam bem, desde que tudo seja fácil para o iniciante. Aquisição fácil, construção fácil, funcionamento fácil, pilotagem fácil. Mas eu sustento a opinião de que, para o iniciante, tão importante quanto o equipamento são as pessoas que orientarão os seus primeiros passos. Bons instrutores e bons amigos certamente ajudarão a alcançar mais facilmente os resultados desejados.

11 - O que você gostaria de opinar, e que não foi perguntado?

Creio que, para uma entrevista, as perguntas anteriores já são o suficiente.

Entrevista com Castaldelli

Carismático, inteligente, amigo sincero e leal, uma figura ímpar em nosso meio, que não pode ficar de fora das provas de acrobacia. CASTALDELLI nos brinda com uma excelente entrevista, falando de nossa política, de seus anseios, sem ficar em cima do muro! Obrigado ao Castaldelli, esperamos que tire o modelo da parede e que volte a competir, pois a modalidade e nós, seus fãs, agradecemos.
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1 - Onde e quando nasceu Castaldelli?
Nascido em Presidente Bernardes, aos 10/09/1963.

2 - Qual foi o primeiro contato com o aeromodelismo?
Foi em 1973, quando comprei pela primeira vez um motor WB25 (diesel), e daí fui conhecer o primeiro aeromodelo tamanco A, B entre outros daquela época.

3 - Já há algum tempo, é notório o crescimento exponencial da modalidade de acrobacia. Tudo já foi feito e dito para tentar alavancar a modalidade de combate, em sua opinião, o que está faltando para tanto?

Bem acho que contudo o que já foi feito dentro do F2B a categoria ainda pesa em alguns detalhes, principalmente com relação às provas, já que com o julgamento subjetivo ainda encontramos um certo bairrismo e uma forte política nas considerações de avaliação, não da qualidade de vôo, mas sim da pessoa que está praticando naquele momento. Com relação à modalidade de combate, acho que faltam instrutores e pessoas com experiência para passar os ensinamentos aos outros aeromodelistas. Acredito também que esta é uma das categorias que mais emocionam os espectadores, já que a busca pela fita é agressiva e necessita de grande pratica do piloto. Me recordo da final no mundial na Alemanha, na cidade de Seibnitz, quando saímos das pistas de F2B para assistirmos a final, foi simplesmente fantástico. Acho que os praticantes desta modalidade deveriam buscar a prática sempre com as fitas, já que é o fator principal desta modalidade. Qual é o piloto que, passando pela pista, e podendo ter a sorte de presenciar um combate, não pára pra assistir? Daí pode-se imaginar o que uma pessoa que está iniciando sente ao ver um show como estes.
4 - Como praticante de acrobacia, qual seria o modelo ideal para a formação de uma banca de juízes para a modalidade?

Bem, esta é uma questão tão subjetiva quanto o seu julgamento. Mas acredito que, dentro deste pouco tempo que tenho como competidor, o melhor seria termos um quadro de ex-pilotos para fazerem o julgamento e, para as provas locais, acho que na falta desses, um sendo dos 3 ou 5 pilotos mais experientes.

5 - Um clube já é difícil de gerir, você acredita que possamos ter Federações Estaduais dentro do nosso esporte?

Acredito sim, porque as Federações existem justamente para fortalecer e estruturar os clubes dentro do seu Estado, ou seja, a bem da verdade o que se deve fazer é descentralizar e desconcentrar esta carga que existe e que foi criada pela entidade maior, saudosa ABA, na pessoa do Sr. Edson Maluf, que com o feito de angariar votos para sua eleição praticamente fez o papel de uma Federação. A Federação deve existir, justamente para promover e incentivar o esporte/hobby dentro do seu Estado sem que haja interferência de qualquer outro, dando total assistência ao seu clube filiado e, por fim, possa ao final de um campeonato estadual, ter gerado verba suficiente para “bancar” seus pilotos finalistas para participarem, por exemplo de um Campeonato Brasileiro, e assim por diante. Daí a suma importância da presença das Federações, e acho que estamos muito próximos disso, porém é necessário que se consiga passar e somar estes propósitos em um todo, para que não haja divergência quanto ao rumo a ser adotado.

6 - Muito tem-se falado de incentivo monetário do governo. Afinal, como conseguir esse tal incentivo?

Bem, esta meta é, de certa forma, fácil. Veja você que o Benê por muitos anos vinha se mantendo nas viagens e nas provas realizadas aqui em São Paulo com ajuda de verba advinda da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretária Municipal de Esporte, estando ele sempre envolvido no meio esportivo (político). Daí pode-se e deve ser feito, com a COBRA. Porém, não resolve conseguir a verba e dela não partilhar para o esporte/hobby. Hoje existem os meios legais para que se possam prever gastos e para isso deve ser feito uma previsão orçamentária e encaminhada a quem de direito, para assim o Aeromodelismo ter sua vez.

7 - Você já teve vontade de parar com as competições por conta de não concordar com resultados de provas?

Por várias vezes, inclusive já parei de competir e no presente momento estou fora de qualquer prova, quer por incompetência daqueles que julgam, quer por bairrismo, e o pior, por política, face a estar envolvido na parte administrativa da então ABA. O fato gerador deste acontecimento é que antes mesmo das provas iniciarem, já podemos saber quem serão os vencedores. Isso é um desastre para o aeromodelismo, e o que deixa patente este fato é que ninguém é para sempre, e os nossos resultados não se mostram desta forma, pois com tantos pilotos experientes que já temos, não se deixam “decolar”, justamente por causa do citado “bairrismo”. Veja você que até mesmo o Rei do Futebol, com reconhecimento mundial um dia “pendurou as chuteiras”, já no aeromodelismo…. Se nós não dermos a oportunidade “justa” aos que chegam, vamos sucumbir e, enquanto nossos “juízes” não tomarem ciência destes fatos, vamos sucumbir definitivamente.

8 - Sem ficar em cima do muro, cite três competidores de F2B que julga ideais hoje para representar o Brasil num mundial.

Inicialmente acho que não posso responder esta pergunta sem antes fazer uma consideração que é: para que se tenha um competidor a nível internacional, é necessário que sejamos conhecidos e depois reconhecidos internacionalmente, e porque digo isso? Veja, neste último campeonato mundial realizado na cidade de Valladolid na Espanha, os 15 finalistas foram os mesmos que participaram 30 dias antes de uma prova realizada no mesmo local do mundial, digo isso porque tenha a matéria feita pela revista francesa que comprei no local, de produção da Sra. Verônica (mulher do Beringer), onde pude constar através de fotos e da matéria em si. Outro fator importante é o preparo técnico dos pilotos que aceitam a convocação (já que cada um paga a sua despesa), veja que quando conquista-se uma posição no “ranking” que determina a classificação do piloto para representar o Brasil, a primeira idéia é trocar o modelo “surrado” por um novo, daí o primeiro grande erro e, por fim, a falta de treino e de orientação do piloto (que fica vendido à informações dos próprios “amigos”). Acho realmente que temos vários pilotos de ponta no Brasil, mas faltam a eles treino e correções para se posicionarem de forma melhor no ranking mundial, e declino alguns nomes, mas alerto que, sem treino, nada feito: Paulo Gomes (dedicação em primeiro lugar, embora não aceite opinião e não sei se foi de tanto escutar coisa errada deixando de acreditar nos “amigos” , digo isso porque viajei para a Espanha com o mesmo e pude sentir isso, já que, de vez em quando me ouvia). Rogério (falta treino e até não diria tanto, mas falta um técnico experiente para orientá-lo, acredito nele porque sabe ouvir e aprende rápido, digo isso também porque já pude orientá-lo algumas vezes nas pistas e rapidamente assimilou e obteve resultado positivo, isso é bom). Castaldelli. Obviamente que poderia citar mais alguns pilotos e até falar alguns nomes mais conhecidos, mas ao longo do tempo, aprendemos que uns estão ligados diretamente com o fim de sobreviver do esporte/hobby, com fins lucrativos (caso dos irmãos Yathenkos), porém falta a mesma tecnologia, o que nunca traz resultados para o Brasil, mas sim pessoal. Outros com o propósito apenas e tão somente de auto-estima, e para o Brasil nada! Daí minha escolha no momento, sem desprezar qualquer outro piloto brasileiro.

9 - Agora “colando varetas” cite três modelos que você montaria para esses três motores:

FOX 35 - Condor com 1.050 gramas, no máximo.
SUPER TIGRE 60 - Celebration II, com 1.60 gramas, no máximo.
SAITO 72 - Fúria, com 1.750 gramas, no máximo.

10 - Considero você uma pessoa extremamente carismática, e já tem algum tempo que venho comentando com amigos que você seria a pessoa certa para presidir a COBRA, conhece muito de R/C e tudo de VCC, já pensou no assunto?

Já teve um tempo que realmente pensei nesta possibilidade, mas acredito que a COBRA deveria partir para outro Estado, tomar “ar fresco”, sair um pouco para “conhecer“ outros Estado do Brasil, tem muita gente boa espalhada em nosso País. Afinal, ela não precisa estar fincada em São Paulo e/ou no Rio de Janeiro. Já teve um tempo que pensei em me candidatar, mas isso ficou para trás, pois sei que administrar uma entidade máxima não é fácil e requer fidelidade dos “amigos” para uma boa administração. Hoje não, quem sabe um dia eu pense nisso novamente.

11 - Nosso querido e eterno “presidente” Walter Nutini sempre contou com a aeronáutica para auxiliá-lo na ABA, porque nossos presidentes não procuram mais por essa ajuda? Não acha que seria um caminho?

Sem dúvida, o Sr. Walter Nutini presidiu nosso instituição em outros tempos, assim como outros presidentes, e sem dúvida acho que esse é o melhor caminho, mas aos poucos e com o passar dos anos, a ABA foi se distanciando da aeronáutica para ganhar espaço. Acho que isso pode ser revertido hoje, já que a COBRA tem seu espaço e poderia ganhar novamente o apoio da Aeronáutica.

12 - Não acha que a COBRA deveria ter uma sede própria? Talvez em São Paulo?

Não. Acho que a COBRA não deve ter escritório, deve ser sempre itinerante e a sede deve ser sempre na casa do seu presidente ou, quando possível, no local escolhido pelo seu Presidente. Digo isso porque não podemos estagnar esta entidade, devemos conduzi-la por todo o Brasil, do contrário estaríamos centralizando mandos e desmandos, sem dar novas oportunidades para o crescimento do aeromodelismo, daí a idéia que ficou sufocada pelo Sr. Edson Maluf em criar os Delegados Estaduais (mini sede da COBRA nos Estados) para facilitar e difundir não só a parte burocrática do nosso esporte/hobby, mas para dar novas oportunidades e também para gerar novos candidatos à presidência desta Instituição.
13 - Como estamos de “base”? Acha que os clubes têm olhado para os manicacas, ou apenas para os “ranqueadores”?

Só para os “ranqueadores”. Os “manicacas”, são apenas para manter as despesas dos clubes, falta realmente o incentivo e o “empurrão” para que os nossos “manicacas” parem do voar de T-25 ou modelo parecido, falta encorajá-los para pilotar um Celebration, um Fúria, um P-47, etc.

14 - Na sua opinião o CASA é um exemplo a ser seguido, ou ainda falta algo?

Gosto muito do clube CASA, e acho que é um exemplo a ser seguido, acho que é um bom clube como a UPA, UBA, 3A, CARJ, entre outros, e cada um na sua modalidade. São Clubes que estão persistindo e aos poucos crescendo.

15 - Você vai participar do campeonato brasileiro de F2B, no Rio de Janeiro?

Espero voltar à praticar por esses dias, já que estou com meu modelo novo, o Celebration II N.52, e acredito ser uma revelação dentre os modelos que conhecemos, com 1.80 de envergadura e 1.10 de fuselagem, pesa 1.550 gramas e está com o motor OS 52 4 tempos, peso final, assim acredito que seja um bom motivo para eu voltar pra pista. Assim, se realmente ocorrer isso, estarei no Rio de Janeiro para participar do Brasileiro, e rever os amigos.

16 - Encerre falando qualquer assunto que gostaria de ter sido abordado, mas que faltou ser perguntado.

Bem acho que toda esta questão política da realização ou não do Brasileiro deve ser acatada, porque não podemos bater de frente com a Instituição, devemos tentar contornar os problemas da melhor maneira, e o que tenho acompanhado é uma forte movimentação política de alguns pilotos (SP), uns que nem aparecem, e outros que se expõem ao fogo cruzado, podendo restar duras penas a esses (falo por experiência). Acho que devemos contribuir para a COBRA e darmos a chance de realizarmos um bom Campeonato Brasileiro, e faço aqui minha manifestação, já que não me pronunciei e não me pronunciarei na lista.

Grande abraço, Castaldelli.

Entrevista com Walter Nutini

Ele é o maior dirigente que já passou pelo aeromodelismo nacional. Quem teve a oportunidade, como eu tive, de participar dos eventos criados por ele sabe muito bem avaliar o que estou falando. Eu digo que ele está para o aeromodelismo como Pelé está para o futebol. Nunca mais teremos um dirigente como ele.
Walter Nutini é o nosso entrevistado de hoje.
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1 - Onde e quando nasceu Walter Nutini?

Em São Paulo/SP - no bairro onde se situa o Center Norte, em 09/08/1930.

2 - Como foi seu “primeiro contato” com o aeromodelismo?

Em 1944, ao ver através da janela da residência de um primo, um garoto soltando um modelo. Era um Extraviador da Casa Aero Brás. Todo azul, voando bem e me encantou na hora.

3 - Sabemos que o senhor é um exímio praticante de vôo livre. Nunca voou U-Control?

Pratiquei com grande entusiasmo o vôo-livre. Gostava de disputar provas comuns, campeonatos nacionais e internacionais. Certa vez, construí um Nobler de U/C, acredito que nunca tive competência para fazer as manobras maravilhosas que alguns amigos faziam nas pistas do Ibirapuera. Ele voava muito bem, eu não. Construí um RC biplano, acho que o nome era Laze Ace. Tirei de uma revista americana. Soube que não era minha paixão, quando quebrei-o num pouso mal sucedido. Voltei para casa e simplesmente pendurei-o. Não sei se concorda comigo, mas quando isto acontece, você fica aborrecido mas não vê a hora de voltar para sua oficina, consertar o bicho e voar novamente. Me desculpe o termo “chulo”, mas sem este “tesão” o hobby não funciona. Admiro todas as modalidades e respeito profundamente cada aeromodelista que constrói e voa seu modelo.

4 - Quantas vezes o senhor foi presidente da ABA?

Presidi a ABA três vezes e fui vice por outras duas vezes. Fui presidente e vice da FPM outros 8 anos. Tive o enorme prazer em participar durante quarenta anos de varias diretorias, clubes e entidades desse esporte-ciência. Maluco?

5 - Em uma de suas brilhantes passagens pela ABA, adquiriu e repassou para os clubes dezenas de motores Super Tigre X 15 e Super Tigre 46, como conseguiu isso? Seria possivel a COBRA fazer isso hoje?

Os tempos são outros. Assim que fui eleito para a ABA, entrei em contato imediatamente com a Aeronáutica. Sempre entendi e continuo entendendo que o aeromodelismo é um fantástico meio para inocular nos jovens o vírus da aviação. Aviação é uma vocação, quase um sacerdócio. Provei isto a inúmeros Brigadeiros, dirigentes da aeronáutica, que em todo mundo todas as forças aéreas vão buscar suas reservas humanas dentre os praticantes do aeromodelismo. Assim foi principalmente na II Grande Guerra, quando num enorme esforço, se construía, em média, uma Fortaleza Voadora a cada dois dias, e um piloto se precisava de 20 anos. Onde encontrar doidos para voar de imediato? Só os moleques apaixonados pelo aeromodelismo. Leia-se a historia da RAF, da Força aérea do Goering, e dos EUA. Contei sempre com o apoio incondicional dos militares da Aeronáutica. Infelizmente, este não foi o caminho perseguido pelos que me sucederam. Tenho a certeza que uma nova aproximação com eles, demonstrando com competência, organização e honestidade de trabalho, ou seja, uma via de duas mãos, tudo se consegue. A CoBra pode conseguir, é só mostrar serviço. Dirigentes políticos ou aproveitadores - “FÓRA”.

6 - Qual era o segredo da ABA ser tão atuante em todas as modalidades de nosso esporte em sua época?

Respeito a todas as modalidades e não privilegiar só as que os dirigentes praticam. Nunca dividir por modalidade, sempre agrupar. Nada de Campeonatos divididos, e se isto der trabalho, que se unam todos. Trabalhem, planejem e não tenham medo de pedir a qualquer autoridade, seja de que nível for, o que precisar para efetuar um grande evento. Só grandes projetos e desafios entusiasmam estas autoridades. Se é necessário promoção, só haverá interessados se mostrar força e grandeza. Nada de Campeonatos com 20 participantes. Deixar as competições menores para os clubes. Apoiá-los no que for necessário mas nunca fazer de uma simples competição um evento nacional. Isto é demonstração de fraqueza.

7 - O senhor conseguiu levar mais de 100 pessoas para um campeonato brasileiro em Roraima, tem idéia da grandeza desse feito? Até hoje as pessoas que lá estiveram lhe reverenciam, foi um feito fantástico. Acredita que seria possível fazer um campeonato brasileiro com todas as modalidades nos dias de hoje?

Isto foi uma grande historia do aeromodelismo e, talvez por ser extenso demais, seria bom ler o que mencionei acima em “Minhas Memórias”. Tive a honra de conhecer o Governador de Roraima, Coronel Ramos Pereira. Apaixonado pela aviação e principalmente pelo aeromodelismo. Tinha na ocasião, o Ten. Brig. Deoclecio Lima de Siqueira, diretor do DAC e posteriormente presidente do Superior Tribunal Militar. Com estas duas brilhantes peças e já os mesmos conhecendo o trabalho da ABA no recente Campeonato Sul-americano realizado por nós em Brasília, com um bom projeto, planejamento logístico completo, esforço de toda uma diretoria da ABA, foi realizado este que talvez tenha sido um dos mais belos eventos produzidos no aeromodelismo.

8 - Hoje existem categorias promocionais em todas as modalidades FAI, como se fossem um trampolim, acha isso válido para um campeonato brasileiro ou acha que isso deveria ser somente nas provas, digamos “caseiras” (só nos clubes)?

O grande problema do aeromodelismo é que surgem a cada dia novas modalidades, de acordo com as conquistas técnicas. Isto divide muito. Concordo plenamente que devam existir provas promocionais, que irão suprir de novos competidores os quadros esportivos. É valido mas talvez deveriam ser disputadas em clubes. Como você bem colocou, um trampolim para novas conquistas pessoais. Mas colocá-las dentro de um Campeonato Nacional seria talvez complicar demais a organização com tantas competições e dias disponíveis. Os dirigentes dos clubes e da CoBra devem sentar-se a uma mesa e discutir a fundo o problema. Trata-se de fazer crescer o nosso esporte. Nunca desestimular os novatos. A pirâmide começa pela base grande e vai afunilando até os grandes campeões. Assim é o esporte. Todos tem um grande valor, o iniciante e o craque. Nenhum é bom sozinho.

9 - Eu sinto que presidentes da COBRA oriundos do Rádio Controle não tem “feeling”, nem interesse suficiente, pra gerir as coisas do U-Control, salvo algumas raras exceções. Acha que seria possível a criação de uma Confederação Brasileira de Aeromodelismo Controlado por Cabos? Ou existe algum impedimento?

Os presidentes eleitos da CoBra o são pelos votos dos dirigentes presentes nas Assembléias. Estive presente nas duas últimas como convidado e membro do Conselho Consultivo. Não há desculpas. Nas duas eleições só se apresentou um candidato em cada uma. A culpa cabe a todos. Não se apresentaram para uma disputa, pois todo sabem que o cargo é espinhoso e geralmente sujeito a muitas críticas. Tenho ouvido falar das distâncias e concordo. Por que então não fazer as Assembléias durante os Campeonatos Nacionais onde estão sendo disputados? Na ultima eleição havia 18 clubes presentes e um só candidato? Reclamar do quê? Parece que o único objetivo era levar a CoBra para outra cidade que não SP? Isto é bairrismo infeliz. Antes da Assembléia me informaram que havia 3 candidatos, os quais me procuraram para saber minha opinião e apoio? Onde estavam eles nesse dia? Acredito que haja bons nomes dentro de todas as modalidades, e é lógico que inclusive dentro do RC. Apenas não se deve eleger alguém que tenha só interesse em priorizar uma delas, interesse político ou vaidade pessoal sem ter sequer algum conhecimento de nosso esporte. Não vejo impedimento em criar-se outra Confederação. Isto apenas estaria contra tudo o que tenho apregoado, ou seja, unir, e não separar para ter força. Sei do descontentamento de vários setores, mas o correto é encontrar elementos sérios, para cuidar dos problemas cotidianos. Todos os esportes nacionais, modernos, têm uma diretoria eleita, que dirigem o esporte e que contratam uma diretoria executiva com salários, etc… Trabalhar diariamente é impossível a qualquer um, mesmo sendo aposentado. É só organizar. Renda, hoje tem.

10 - Em caso de ser possível a criação de uma Confederação Brasileira de Aeromodelismo Controlado por Cabos, aceitaria a indicação para ser presidente da mesma?

Respondido. Complementando, trabalho até hoje para meu sustento. Hoje eu não poderia, embora me honrasse, dedicar meu tempo, já com boa idade, algo diferente do que fora de minha profissão, que é dentro da construção civil. Às vezes me perguntam porque não me apresentei como candidato a presidente da CoBra. A resposta está acima e também porque existe dentro dos Estatutos um impedimento que é: nenhum dirigente da ABA ou CoBra, poderá exercer o cargo se for “falido”. Minha Construtora faliu em 1998.

11 - Tem alguma pergunta que deixamos de fazer e que gostaria de falar aqui?
Fique à vontade para perguntar o que quiser e quando considerar que as respostas servem para seu propósito. Aceite um grande abraço - Nutini